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Final Justice  PERÍODO NORTE-AMERICANO
Lançado comercialmente nos Estados Unidos em maio de 1985, dirigido por Gleydon Clark

SOBRE O FILME

Depois de ver seu parceiro ser morto na sua frente pelo mafioso italiano Palermo, o xerife Thomas Jefferson Geronimo consegue capturar o assassino e viajar à Europa para entregá-lo às autoridades de seu país. Mas os aliados do criminoso conseguem desviar o avião para a pequena ilha de Malta e o vilão escapa. O típico cowboy texano Geronimo se vê então em uma caça a seu ex-prisioneiro enquanto enfrenta resistência dos policiais locais. Entre clubes de strip, carnavais de rua e portos, o longa Final Justice se afoga em clichês: perseguições e duelos, diálogos repetitivos, mulheres gratuitamente seminuas, fotografia pobre e montagem truncada. Nesse genuíno filme B, as sequências que se passam durante a parada carnavalesca de rua são acompanhadas por uma música de Moacir Santos, com letra em português.

CRÉDITOS REDUZIDOS

Direção: Gleydon Clark
Produção: Arista Films
Roteiro: Gleydon Clark

Música: David Bell
Supervisor musical: John Caper Jr.
Canções: Bill Scott; e David Morgan
Música adicional: Moacir Santos [Carnival Music]


MÚSICA IDENTIFICADA NA TRILHA

"Samba Di Amante" - lançada no disco Choros & Alegria [2005]


DESCRIÇÃO E ANÁLISE DA TRILHA

Os créditos iniciais do filme informam que a música foi composta por David Bell e ela é representada por vários trechos instrumentais que dialogam de maneira bem próxima com as trilhas musicais clássicas do gênero suspense/policial. Já os créditos finais listam as canções e composições adicionais: "The Sound of Justice", de David Bell; "You Better Run" e "Look at me Dancin' ", de Bill Scott; e "Carnival Music", de Moacir Santos. A música atribuída a Santos nesse filme veio a se tornar a composição "Samba Di Amante", gravada e lançada duas décadas depois no disco Choros & Alegria, de 2005.

É notável como a forma e a estrutura da música de Moacir na trilha de Final Justice são muito parecidas com as do disco, apresentando divergências apenas no arranjo. Especialmente pelo fato do arranjo do disco ter sido uma adaptação de Mario Adnet, a partir do estilo composicional de Santos. Em ambos os casos, a música tem como base uma sessão de percussão com um toque "carnavalesco", um naipe de sopros e vozes, apesar da "batucada" da percussão na trilha ser aparentemente tocada por um sintetizador. A principal diferença é que na trilha o coro é feminino e ele predomina sobre as frases de sopros. Já no disco, o arranjo valoriza muito mais a instrumentação brilhante dos metais e madeiras, além da voz ser solo e masculina, gravada pelo próprio Moacir Santos. Outra consideração interessante é que a música no filme apresenta alguns trechos com letra em português e outros apenas vocalizados. Já a opção de Moacir e Adnet na versão de 2005 foi a de usar apenas vocalizes, abdicando totalmente dos trechos com letra.

A música de Santos é ouvida três vezes ao longo do filme e serve basicamente para ambientar as cenas em que os personagens estão em meio à multidão durante um desfile de carnaval nas ruas de Malta, um arquipélago localizado no Mar Mediterrâneo. Durante todas essas sequências, vemos o xerife Thomas Jefferson Geronimo III em sua busca pelo mafioso italiano Joseph Palermo, com a ajuda de uma mulher local que o guia pela cidade.

Na primeira aparição da música os dois estão em um hotel e a mulher comenta sobre o desfile de carnaval. Nesse momento a música de Santos já pode ser percebida. Eles olham a multidão pela janela e o volume da trilha aumenta, reforçando a impressão de que a música estaria de fato sendo tocada no desfile. Na sequência, ambos descem até a rua e uma inserção musical de sonoridade "misteriosa" se sobrepõe à percussão da música de Moacir, de forma não sincrônica, dividindo a trilha musical em dois planos auditivos distintos.

A segunda aparição ocorre logo depois de uma outra sequência em um clube de strip, quando vemos novamente os dois personagens na rua. A música de Moacir retorna sozinha, sem a presença da outra camada musical simultânea, o que torna seus elementos composicionais mais inteligíveis. O trecho é curto e logo sai de cena.

Já na terceira e última aparição do trecho, vemos novamente os personagens nas ruas conversando sobre o tão procurado Palermo. A música entra exatamente quando eles perguntam pelo mafioso para algumas prostitutas da cidade. Novamente, uma inserção musical de "suspense" se sobrepõe à música de Santos, sendo que ambas continuam simultaneamente ao longo de toda a próxima sequência, ressaltando-as individualmente em alguns momentos. O plano mostra diversos homens à espreita, observando o xerife e sua ajudante. Assim que os protagonistas percebem que são vigiados, agem de forma a matar todos esses homens.

A música de Moacir Santos para Final Justice é bastante pontual, mas sua análise se mostra importante para a pesquisa, pois adiciona à bibliografia mais um exemplo de música do compositor usada em trilhas musicais que viria a figurar em seus discos posteriores.

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